Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012
Um desastre anunciado?
por Sérgio Lavos, Seg 03/Set/12

 

A venda de Witsel parece ter sido, de tudo o que tem acontecido no Benfica esta época, o acontecimento mais inevitável. A cláusula foi batida e o jogador preferiu os rublos russos à mística benfiquista. São escolhas - e, sem cinismos, espero que ele consiga ter uma carreira à altura do grande jogador que pode vir a ser. Não sei é se um Zenit movido a petrorublos é a melhor escolha.

 

Mas adiante. O problema foi o absoluto desequilíbrio nas contratações: extremos e avançados para dar, vender, emprestar e o que mais viesse e o absurdo de continuarem a existir posições deficitárias no plantel. Passando à frente do problema das duas laterais, a verdade é que o meio-campo também foi esquecido. Havia apenas um número seis que se foi embora por um preço demasiado baixo - Javi Garcia - e na realidade apenas contávamos com mais três jogadores para a posição 8: Carlos Martins (que tem problemas recorrentes com lesões), Witsel e Matic - sim, ele é mais 8 do que um 6. Witsel partiu, e Matic recua para o lugar de Javi. Não faz o lugar tão bem, é claro, e se se lesionar, não há ninguém para o substituir. Jesus já falou dos centrocampistas da equipa B. Mas André Almeida não conseguiu um lugar na época passada - parece-me um jogador mediano - e André Gomes, apesar de ter bastante potencial, ainda é demasiado verde. 

 

Vamos jogar contra o Barcelona na Liga dos Campeões e temos um longo campeonato pela frente. Muito sinceramente, o Benfica, com a saída de Javi e Witsel, parece-me mais fraco em várias das coisas em que era forte: na capacidade de pressionar alto, sobre a defesa contrária - quantas bolas terão sido recuperadas por Witsel e Javi na época passada? - e na qualidade de posse de bola proporcionada por Witsel. Se nos jogos do campeonato esse factor será menos importante - exceptuando os três do costume, são pouquíssimas as equipas da liga que conseguem manter o mesmo ritmo de pressão ao longo de noventa minutos - na Liga dos Campeões essa falta vai se notar, e muito. Não esquecer o Barcelona, e se é verdade que a equipa catalã se destaca pela capacidade atacante e pelas altas percentagens de posse de bola, a verdade é que grande parte do segredo está na recuperação defensiva e da intensidade que os jogadores colocam na pressão sobre o adversário - a posse de bola conquista-se, não cai nos braços das equipas. E sem Witsel, sem a sua tranquilidade, controlo de bola e classe, iremos passar por muitos problemas. São só dois jogos, que podemos perder e mesmo assim passar à fase seguinte? Não. São dois jogos que não podemos perder por muitos; caso contrário, a moral da equipa esvazia-se irremediavelmente.

 

Se eu já não estava muito optimista, fiquei, em quatro dias, bastante mais apreensivo. É verdade que temos um Salvio em grande forma, um Rodrigo a prometer bastante e jogadores como o regressado Enzo, Nolito, Bruno César e o sempre grande Aimar. Será suficiente?

gloriosamente escrito por Sérgio Lavos
link do post | chutar para golo
8 comentários:
Também espero que seja o suficiente mas também estou apreensivo..

deixado em 4/9/12 às 04:31
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Está aqui o cerne da questão: a qualidade de posse de bola de Witsel. Não é um organizador de jogo, isso parece evidente, mas parecia não saber perder a bola, não importa a pressão a que estivesse submetido ou o pouco espaço que tinha. Chegou a dizer-se (Roy Hogdson, creio) de alguns jogadores portugueses que fintavam três italianos dentro de uma cabine telefónica mas que não encontravam depois a saída. Witsel encontra sempre a saída. Sem ele, e admitindo que Jesus irá adaptar alguém à posição (Bruno César?, Urreta?, a estátua do Eusébio?), o meio campo do Benfica será reduzido a chutar para a frente ou a ficar na cabine telefónica.

Matic foi de facto um 8, mas a mobilidade dele é algo reduzida para a posição. Pessoalmente parece-me que tem muito futuro como um 6. Tem bom posicionamento, joga simples, é forte e alto e é inteligente. Precisa essencialmente de ganhar alguma agressividade.

Já para número 8, o Benfica deixou ir um jogador que, não tendo a mesma qualidade de Witsel (nem perto), ainda era o que de mais perto exisitia no plantel: Ruben Amorim. É versátil, trabalhador, joga simples, tem velocidade e ainda aparece a fazer golos. Seria um bom substituto ou teria qualidade para fazer descansar jogadores em jogos mais simples. Não sei porque foi para Braga (não percebi a história) mas creio que faz falta.

Quanto aos jovens, o serem verdes não me incomoda muito. Pode ser que tragam o sangue necessário ao meio campo. Além disso, num ambiente de nadar ou afogar, aqueles que aprenderem a nadar terão um futuro muito risonho. Vejamos as coisas pelo lado positivo: agora Jesus terá mesmo que pegar nos jovens do plantel.

PS - David Simão não teria dado algum jeitinho aqui?

deixado em 4/9/12 às 10:20
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Aquifolivm
Se será suficiente? É esperar para ver. Jesus assumiu que esta época a prioridade é o campeonato, o que me parece bem mais razoável do que o politicamente correto do "estamos em todas as frentes para ganhar tudo" e depois não se ganhar nada. É bom que hajam prioridade, que na altura de rodar os jogadores se saiba onde é que os melhores têm de jogar.
Nenhuma equipa que vende jogadores fica mais forte - é La Palisse - resta saber como Jesus arrumará a equipa. E a partir deste momento, bem ou mal, é este o conjunto de jogadores que o Benfica terá, portanto compete à massa adepta apoiar os seus jogadores, e não fazer, como ouvi no transístor da TSF, que no último jogo já andavam a assobiar a equipa.
Por outro lado o Porto também perdeu o Hulk que fará sempre muita falta o que equilibrará as coisas. É altura de Jesus mostrar que é melhor treinador e fazer a diferença. Veremos.

deixado em 4/9/12 às 12:51
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Rui Pedro Nascimento
Desculpem mas chamar jogador ao Bruno César parece-me excessivo!

deixado em 4/9/12 às 13:29
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ab
permito-me concordar com o moço que disse num comentário acima que se a prioridade for o campeonato não está tudo perdido, longe disso. a resposta dos putos da b na liga de honra deve servir para ajudar em alguns jogos do campeonato, até que estejam prontos para jogar a outro nível.

o que chateia é a liga dos campeões. sem uma boa campanha, o que implica pelo menos passar a fase de grupos, para o ano estamos sujeitos ao mesmo: vender. isto porque o eventual acréscimo de orçamento proveniente do final de contrato com a sporttv só chega no próximo ano e há um passivo acumulado enorme.

só resolvendo isso, e sendo o benfica o 21º clube mundial com mais receitas, poderemos conseguir atrair mais e melhores jogadores. la palisse, também, mas por vezes, pelo meio de todas as críticas que vejo a esta direcção - e são muitas e justas - esquecemos que é este caminho que pode permitir o acréscimo de qualidade que desejamos e que, convenhamos, já foi muito percorrido.

outro dia recordava o jogo com o boavista, era treinador o fernando santos, que terminou empatado. a equipa titular era muito boa, mas olhava-se o banco e nada. no ano do campeonato do trapattoni, nem isso.

agora, apesar da indiscutibilidade da preponderância do javi e do witsel, ficámos coxos, mas olhamos para a equipa e há substitutos - não tão bons, claro, mas bons - e há jogadores que fazem pensar que poderemos continuar a vender, nos próximos anos, a bons preços.

nem tudo é óptimo - a quantidade de jogadores comprados é um absurdo, mantendo-se o desequilíbrio do plantel - mas nem tudo é tão mau como se pinta. o pior a fazer é ceder às opiniões que falam da estrutura de uns e a pintam de ouro e dizem dos outros que não sabem planear épocas. o fcp tem dois pontas de lança, dois, e é equilibrado o plantel? o suplente normalmente era o hulk e tb foi embora.

e suplentes para o fernando, há-os? e alas? há algum tão bom como os do benfica? e o grande suplente para os 2 centrais que é o mangala que dá casas atrás de casas? e que dizer da substituição de moutinho por defour?

resumindo, a nível interno, não me parece que a coisa esteja muito mais tremida. na liga dos campeões é que já tenho sérias dúvidas, mas convenhamos, nem o barça ou o real competem com os salários do gás ou do petróleo. ainda que no campo, tudo seja diferente. o ano passado mandámos o zenit passear e foi preciso lesionar o rodrigo para a coisa tremer um pouco. este ano talvez se passe o mesmo com o spartak.

desculpem o testamento.

deixado em 4/9/12 às 14:03
responder a comentário | discussão

Aquifolivm
Não percebi uma coisa - se o Benfica fizer uma boa Liga dos Campeões não precisa vender? Então, mas por esse raciocínio o Benfica não necessitaria vender ninguém este ano, visto que chegou até aos quartos de final.

Quando às comparações com o rival parece-me mais do que lógicas. Globalmente parece-me que defendem melhor como equipa, mas veremos também como fica o ataque sem Hulk que resolvia muitos jogos à semelhança de Lima no Braga.


ab
claro que precisa de vender. se acreditarmos no que se diz, o passivo do benfica anda à volta dos 400 milhões de euros. são dez vendas iguais à do witsel. e há ainda que manter um orçamento total do clube de mais de 100 milhões. ora, se as receitas são de cerca de 70 milhões, precisamos de, pelo menos, mais dez vendas iguais às do witsel, ou seja, vinte vendas.

mas como gerir um clube não é como fazer contas à joão duque e, efectivamente, as dívidas gerem-se, uma boa campanha na liga dos campeões facilita, por exemplo, a renegociação de contratos. talvez o suficiente para impedir que jogadores como o witsel vão para a rússia - onde não lhe auguro nada de bom, mas isso somos só nós do lado de cá chateados por ele ter preferido jogar ao pé do hermitage em vez de ficar a olhar para o ccb.

mas também tinha escrito que um dado importante para a próxima época seria a renegociação dos direitos televisivos. quaisquer mais 10 milhões que venham daí, são menos 10 milhões em vendas ou, por outra, talvez mais dez milhões em salários (mais uma vez, perdoem-me esta ducada). portanto, o que queria dizer era que uma boa campanha na liga dos campeões, mais uma boa negociação de direitos televisivos, pode ajudar a que em vez de vender dois jogadores fulcrais, se venda só um e se despachem um ou dois suplentes - ou, porque não, 47 excedentes - para completar o orçamento.

deixado em 4/9/12 às 17:46
responder a comentário | início da discussão

Hugo Rocha
Há ainda outro problema: no ano passado, cada vez que o Maxi estava indisponível, era o Witsel que o substituía. Este ano temos um miúdo de 18 anos, o João Cancelo, que, pelo que tenho visto na equipa B, ainda não está nem de perto nem de longe à altura das necessidades. É apanhado fora de posição com demasiada frequência, deixando atrás de si uma avenida, e é demasiado suave a defender no um contra um. Se no meio campo temos que rezar para que o Matic não se constipe, com o Maxi ainda pior.

deixado em 4/9/12 às 16:04
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