Sábado, 24 de Março de 2012
Impotência
por Bruno Vieira Amaral, Sab 24/Mar/12

Nos últimos jogos para o campeonato o Benfica tem entrado com aquela postura entre o medo cénico de que fala o Sérgio e a crença mágica de que um golo há-de aparecer, seja pela intervenção das “individualidades”, pela energia xamânica do público ou por uma ajuda divina arbitrária (ou arbitral). Na Luz, os golos aparecem com naturalidade (é ver o jogo com o Beira-Mar) e, fora da Luz, por vezes aparecem com sobrenaturalidade (é ver o jogo com o Paços de Ferreira). Mas há sempre aquele dia em que as individualidades se eclipsam, a energia é manifestamente insuficiente e Deus recolhe aos seus aposentos e nos deixa entregues à nossa (in)capacidade. Aconteceu ontem. Não jogámos nada na primeira parte, ficámos à espera de um “acontecimento” (como o golo de Janko ao Nacional) mas o “acontecimento” não aconteceu e só depois de Pablo Aimar ter sido justamente expulso (como Bruno César devia ter sido expulso no jogo contra o Paços de Ferreira) é que a equipa ganhou consciência de que aquilo era mesmo uma final. Não vale a pena os jogadores dizerem que todos os jogos são finais para depois entrarem em campo como se fosse uma final...do torneio do Guadiana. Criámos mais oportunidades com 10 do que com 11. Isso significa que, com 11, estivemos a dormir. Os comentadores diziam, como dizem obrigatoriamente nestas ocasiões, que estávamos a atacar com mais coração do que cabeça. Pois, mas isso só aconteceu porque passámos a primeira parte a atacar só com cabeça (em coma) e sem pingo de emoção. Fomos incapazes de ganhar a uma equipa que só quis não perder, que fez um jogo honesto na avaliação das suas capacidades e um anti-jogo desonesto para conter as nossas. O árbitro podia ter sido indulgente com Aimar, podia ter assinalado um penalty de Toy que não o foi menos do que aquele do Porto contra a Académica, mas isso não desculpa nada. Também eu fico angustiado por, em muitas ocasiões, constatar que o Benfica, para ganhar, tem de ser muito superior a todos os adversários. Mas ontem não fomos superiores a ninguém, nem à equipa do Olhanense, nem ao árbitro. Nem sequer fomos superiores a nós próprios. Não nos superámos. E assim é difícil ganhar.

gloriosamente escrito por Bruno Vieira Amaral
link do post | chutar para golo
3 comentários:
É, basicamente, o que escreveste, Bruno. O resultado foi dos que mais custam a engolir, porque sentimos que a equipa não deu tudo o que pode dar. É frustrante.

deixado em 24/3/12 às 14:20
responder a comentário

De acordo com o Bruno e com o Sérgio, mas não posso deixar ainda de comentar as declarações de João Gabriel:

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=322671

1. Concordo na generalidade, sobretudo com a tese de fundo, a de que a Classificação está adulterada por culpa das arbitragens.

2. Não concordo que tenha sido por culpa do árbitro que tenhamos perdido com o Olhanense. O Benfica não fez o suficiente para ganhar e a expulsão do Aimar em muito complicou essa tentativa de vitória, não apenas por jogarmos meia hora com menos um jogador, mas ainda por esse jogador ser precisamente o nosso mais talentoso futebolista. Infelizmente, porque sou grande fã do Aimar, a culpa da sua expulsão é exclusivamente dele, pois acho justíssima a decisão do árbitro (se percebo as declarações de Jorge Jesus, em sentido contrário, no final do jogo, por estar a quente, já não posso concordar que João Gabriel venha dizer o contrário).

3. Não obstante o exposto no ponto anterior, muito bem assinala João Gabriel que, ao minuto 42, Toy tem uma entrada violenta sobre Javi Garcia e nem cartão amarelo levou. Em meu entender é uma entrada perfeitamente similar à do Aimar e o que é grave é, então, a dualidade de critérios:

http://www.youtube.com/watch?v=taSfPMrTfVc

http://www.youtube.com/watch?v=uwmzkHZ_Mp0

Mostrei já o vídeo da entrada do Toy a alguns amigos não benfiquistas e vieram tentar dizer-me que é o Witsel que magoa o Javi. Não se deixem enganar! O Witsel até pode acertar também no Javi, quando muito na barriga ou no peito e com a parte de cima do pé, é o Toy quem leva os pitons à coxa do espanhol, à qual ele se agarra com visível expressão de dor!

Abraço,
NF
(Único 1/4 Finalista Português da Champions e Anfitrião da Final de 2014 nº 15194)
http://camisolaberrante.blogspot.com/

deixado em 25/3/12 às 13:34
responder a comentário | discussão

Rafael Ortega
"3. Não obstante o exposto no ponto anterior, muito bem assinala João Gabriel que, ao minuto 42, Toy tem uma entrada violenta sobre Javi Garcia e nem cartão amarelo levou. Em meu entender é uma entrada perfeitamente similar à do Aimar e o que é grave é, então, a dualidade de critérios"

Os critérios são sempre interessantes.

Lembro-me que já várias vezes este ano houve cruzmentos do Benfica cortados com o braço e a desculpa foi sempre "foi muito próximo, o jogador adversário não fez de propósito..."
Mas o penalti a favor do Braga no jogo da primeira volta, nas mesmas condições, foi prontamente assinalado.

deixado em 25/3/12 às 21:58
responder a comentário | início da discussão

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