Terça-feira, 13 de Maio de 2014
1988: Benfica a preto-e-branco
por Henrique Raposo, Ter 13/Mai/14

 

 

 

Crónica do Expresso diário

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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014
Este Benfica é um projecto literário
por Henrique Raposo, Seg 21/Abr/14

Crónica do Expresso online

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2014
Carta de Amor a Vítor Paneira
por Henrique Raposo, Qua 16/Abr/14

 

 

Crónica do Expresso online de hoje

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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014
Benfica é História
por Henrique Raposo, Seg 13/Jan/14





Crónica do Expresso desta semana
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Por que razão o Benfica é maior do que o FC Porto?
por Henrique Raposo, Seg 13/Jan/14




Coluna de hoje do Expresso online


"(...) Longe da aldeia, o meu pai transformou o Benfica numa aldeia mediática que lhe garantia um módico de identidade numa região que desconhecia, Grande Lisboa . Se aquele sucesso lendário dos anos 60 tivesse pertencido ao FC Porto ou Sporting, os seis milhões e alguns trocos não seriam nossos".


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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014
O meu Eusébio era a toalha branca
por Henrique Raposo, Qua 08/Jan/14

Crónica do Expresso online

 

"(...) Por outras palavras, Eusébio foi o fantasma dos meus primeiros anos de benfiquismo a sério. A sua presença criava um abismo difícil de engolir entre a triste realidade (anos 90 ) e o passado glorioso que nunca experimentei. Era como se tivesse nascido numa família aristocrata falida: tinha nome, sim senhora, mas andava a raspar tachos (...)"

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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014
Eusébio, o nosso ADN mulato
por Henrique Raposo, Ter 07/Jan/14

 

Coluna de ontem do Expresso online

 

Não deixem passar este momento de forma demasiado rápida, não matem a morte do Eusébio em apenas dois dias de frenesim mediático, porque o nosso mulato voador abre demasiadas portas sobre a tal "identidade portuguesa". Querem exemplos? Deco e Pepe naturalizaram-se portugueses num espaço livre e democrático; Eusébio era português por causa de um império colonial de um regime autocrático; mas, ora essa, eu sinto Deco e Pepe como entidades postiças e sinto Eusébio como português, aliás, como um super português, um português que carregava séculos naquelas chuteiras. Contra toda a racionalidade liberal, constitucional e democrática, eu vejo um português num súbdito de um império colonial pouco simpático para negros, e recuso ver Portugal em cidadãos livres que escolheram livremente a condição de português. São assim as nações velhas: labirínticas, incompreensíveis, interessantes. 

Sim, as nações velhas como Portugal são seres emotivos antes de serem seres racionais, têm pulsões históricas que estão a montante das purezas racionais dos regimes. Imaginem que se colocava agora a seguinte pergunta aos portugueses: "o que achava do império africano?". A maioria responderia que o tal império não fazia sentido, que era ilegítimo, etc. Todavia, os portugueses consideram como seu um homem (Eusébio) que nasceu nesse império ilegítimo. Porquê? Ilegítimo ou legítimo, aquele império faz parte da nossa memória, e as nações são memórias colectivas. Na dor e na alegria, todas as famílias portuguesas foram tocadas por África: os soldados da guerra trouxeram traumas mas também "o melhor tempo da minha vida"; os retornados trouxeram dor mas também a memória do "melhor tempo da minha vida" e o sonho de um país mulato que ficou por construir. Além de estar na memória, aquele império também está no nosso ADN, no nosso sangue, um sangue que corria nas veias de Eusébio, filho de mãe negra e de pai branco, Laurindo António da Silva Ferreira, um português de Angola.

Quando Mantorras pulava do banco para aquecer, o Estádio da Luz recebia uma descarga de energia que explodia quando o angolano entrava em campo. Como explicar aquela relação entre Mantorras e os benfiquistas? Não basta dizer que nós, benfiquistas, víamos ali o novo Eusébio e o regresso à glória do antigamente. Aquela pulsão era mais funda e menos racional do que este cálculo clubístico, era a sublimação inconsciente das memórias africanas. Para o bem e para o mal, a nossa história está mesmo fundida com a história de África. Tenho muito orgulho em que o jogador mais amado da história recente do meu clube seja um africano que nunca vestiu a camisola das quinas. Tenho muito orgulho em que o melhor jogador português de todos os tempos seja um africano, um mulato que, apesar de tudo, escolheu ser português. As lágrimas de 1966 eram de português. A toalha branca de 2004 era de português. 

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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2013
A benfiquista
por Henrique Raposo, Sex 08/Nov/13

Crónica de hoje do Expresso online

 

 

Por norma, o benfiquismo é associado a homens, a um estádio inteiro de machos xingando a sorte e uma certa senhora. Mas o verdadeiro macho alfa do benfiquismo é a benfiquista. Tenho conhecido adeptas que metem o meu fanatismo a um canto. Esta colecção de cromas gloriosas é vasta, mas julgo que devemos começar o inventário por aquelas eloquentes varinas do terceiro anel, senhoras que fazem questão de ensinar novas combinações de palavrões à minha mulher, matronas que empalariam os Super Dragões ao estilo do Pulp Fiction, cinquentonas que acham que o Youtube foi inventado para gravar coisas do Pinto da Costa. Um mimo.  

E, de certa maneira, eu conheci as filhas destas varinas em chuteiras. Na escola, certas miúdas eram as maiores fanáticas. Se a maioria andava com recortes do Kurt Cobain ou do Michael Jackson, as garotas da bola, normalmente com cabelos oleosos e peles lunares, roubavam A Bola ao avô e recortavam a figura do João Vieira Pinto para colar nos cadernos pretos da Ambar. Eram tão benfiquistas que até iam ver os jogos dos juvenis nas tardes de sábado, embora eu conceda que estas incursões talvez fossem provocadas pelas hormonas e não pelo benfiquismo. Vinte anos depois, as paixões adolescentes pelos homens do Benfica continuam activas. Há dias, por exemplo, descobri que uma prima tinha uma fixação doentia pelo Fábio Coentrão. Fábio, o Justin Bieber das Caxinas.

Mas a minha benfiquista favorita é aquela executiva, advogada ou jornalista, uma lady na mesa, uma louca no estádio. Educada, letrada e com a dentição completa, esta benfiquista terminal perde o uso da razão. Ela é que é a verdadeira índia do Terceiro Anel. Durante o jogo, aliás, durante o dia do jogo, ela fica possuída pelo espírito de Cosme Damião e trata o sportinguismo ou o portismo do marido com aquele desprezo pós-coito da Viúva Negra. Amém.  

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013
O dia em que traí o Benfica
por Henrique Raposo, Sex 01/Nov/13
Crónica do Expresso online

Uma das coisas que me entristece no Benfica é a ausência de jogadores portugueses, o desprezo pelos meninos do canteiro (convenhamos que canteiro é mais interessante do que a habitual espanholada, cantera). E a falta de raízes nacionais também afecta as outras modalidades. Eu percebo a presença de dois ou três estrangeiros na equipa de basquete, mas já não aceito a hegemonia estrangeira. Se somos o "maior clube de Portugal", não temos responsabilidades especiais na valorização do jogador português? Mas esqueçam lá este lero-lero da responsabilidade cívica, porque a questão é bem mais simples. O ponto é básico, primário, tribal, é a nossa identidade. Sem jogadores portugueses não há equipas do Benfica. Podem vestir a camisola encarnada, até podem palrar as papoilas saltitantes, mas não são o Benfica. 

É por isso que, às vezes, torço pelos equipas cheias de portugueses que jogam contra o Glorioso. Calma, não me deserdem já. É só às vezes, quando ninguém está a ver e o jogo tem de ser numa modalidade que não implique pés e balizas. Foi o que aconteceu na final do campeonato de basquete da época passada entre Benfica e Académica. Estava por acaso em Coimbra, e vi o último jogo no pavilhão novo ao lado do estádio. Já sou mais ou menos de Coimbra por razões familiares, mas não foi essa a razão da traição. Torci em silêncio pela Académica, porque o Benfica parecia uma equipa americana. A ligação daqueles jogadores ao Benfica estava apenas no seu profissionalismo, e isso não chegava, não chega. Cometi adultério com a Académica, porque aquela era a equipa mais portuguesa, porque tinha um base português que fazia lançamentos à Carlos Lisboa, triplos impossíveis do canto. O Benfica lá ganhou, sim senhora, mas ganhou com aquela competência fria de quem sabe que é muito superior, faltou a pitada de energia, de emoção, a tal mística. 

Não me confundam, por favor, com um D. Quixote nacionalista. Não estou a defender equipas exclusivamente nacionais. Isso não é possível, nem desejável. Mas é preciso encontrar um equilíbrio entre estrangeiros e portugueses. O Benfica, para ser Benfica, não pode ser um stand de jogadores argentinos ou sérvios a caminho do Real Madrid ou um stand de jogadores americanos que não conseguiram entrar nas NBAs desta vida. O Benfica, para ser Benfica, precisa de portugueses. Sim, bem sei que a actual direcção não quer saber deste discurso identitário. Sim, eu sei que esta direcção acha que a mística cai dos céus e de discursos ocos sobre o "maior clube português". É por isso que vou continuar a pular a cerca de vez em quando.

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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013
Acabem com as claques
por Henrique Raposo, Qua 30/Out/13

Coluna de hoje do Expresso online

 

No domingo, o enésimo confronto entre claques causou comoção e espanto. Não percebo porquê. A sociedade e a polícia legitimam há anos o vandalismo das claques.  Não o controlam, não o punem, legitimam-no. E a legitimação começa num termo engraçado, "caixa de segurança". É este o eufemismo que esconde uma cena absurda que se repete época após época: quatro, cinco, seis, dez mil gandulos juntam-se num sítio e depois são escoltados pela polícia até ao estádio do rival na tal "caixa de segurança". Neste percurso legitimado e protegido pela polícia, a "caixa de segurança" funciona como um arrastão, lojas têm de ser fechadas, ruas têm de ser fechadas. Ou seja, o estado de direito, representado pela polícia, não protege o cidadão das acções dos bárbaros. Faz o inverso: põe em causa a normalidade do cidadão para permitir a passagem de um pequeno furacão de candidatos a gangsters. Eis, portanto, o absurdo: a polícia é babysitter de gente que devia estar a prender. Sim, o lugar de boa parte daqueles charrados profissionais não é o estádio, é o chilindró. 

Mas o absurdo da "caixa de segurança" não acaba aqui. Lá dentro, não existe lei. Ou melhor, existe a lei dos pequenos mafiosos que controlam a turba. Nas barbas da polícia, que só controla o cordão exterior da "caixa de segurança", aqueles índios caminham com armas, droga e petardos. Pior: eu sou revistado à entrada do estádio, mesmo quando levo uma criança pela mão, mas ninguém revista as claques. A impunidade é total. É como se a claque de futebol fosse uma licença para o banditismo. E a impunidade chega ao limite quando vemos esta gente a agredir polícias com um sorriso nos lábios. Porque é que sorriem? Porque sabem que não sofrerão grandes consequências. O índio da claque sabe que está protegido pela confusão, sabe que as suas acções individuais são diluídas pela onda colectiva. Resultado? Na TV e ao vivo, já vi claques a humilhar polícias sem qualquer tipo de consequência posterior. Porque é que isto acontece? Como é que podemos ser tão tolerantes com gente que actua objectivamente fora da lei? E existe ainda outro acorde desta sinfonia de impunidade: em Portugal, apenas treze indivíduos estão legalmente impedidos de entrar em estádios. Treze. Parece piada, não é? Mas a piada maior é outra: a polícia não tem meios para os controlar. Porquê? Provavelmente porque está a fazer "caixas de segurança" para os outros 10 mil índios. 

Como já se percebeu, esta questão sai do relvado e entra na moral da sociedade por inteiro. Aliás, a falta de firmeza perante as claques é um dos sintomas de uma doença grave que nos afecta há décadas: a sociedade portuguesa confundiu autoritarismo com autoridade. Se o primeiro conceito invoca um sistema político filha da mãe, o segundo representa um valor fundamental na vida democrática. Ao contrário do que reza a lenda, democracia não é a abolição da autoridade. É, isso sim, a legitimação da autoridade. O poder policial do Estado Novo era ilegítimo, porque estava ao serviço de um regime autoritário. O poder policial da democracia é legítimo, porque está ao serviço do nosso bem comum. À justiça da ditadura, que tinha duas espadas e nenhuma balança, não se seguiu uma justiça com duas balanças e nenhuma espada. A justiça democrática tem a espada ao lado da balança, e não deve ter medo de usá-la. Uma carga policial sobre claques de gandulos não é repressão, é lei e ordem. A proibição activa destas claques lideradas por criminosos não é repressão, é decência.

Será preciso morrer alguém para acabarmos com a brincadeira? 

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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013
Benfica e os dias da rádio
por Henrique Raposo, Sex 25/Out/13

 

 

Crónica de hoje do Expresso online

 

O futebol tem o dobro da piada quando é visto através da rádio. Os profissionais do relato transformam um jogo de futebol numa tempestade de raios e coriscos. No relato, os futebolistas calçam uns patins homéricos e deslizam por ali como deuses gregos, como criaturas aladas que só precisam de três segundos para irem de uma baliza à outra, e há sempre adrenalina mesmo quando a bola está num meinho entediante, a nossa equipa está sempre na iminência de marcar golo mesmo quando a bola está no nosso guarda-redes. Não por acaso, a minha reacção ao meu primeiro jogo no estádio foi um lapidar "pai, eles correm devagarinho" . Habituado a ver o Benfica pelos relatos da Renascença, achei estranha a lentidão do jogo ali no estádio. Afinal, não eram deuses com asas, só gajos com chuteiras. Aliás, confesso que nunca me reconciliei com a velocidade normal do jogo. Sempre que vou ao estádio fico com a sensação de que estou a ver o slow motion de uma coisa que devia estar em fast forward.  

Invoco os santos dias da rádio para ter os instrumentos certos para descrever o entediante Benfica deste ano. É que o Benfas 13/14 é um bocejo até na rádio. Nem os relatos conseguem dar alguma beleza a esta equipa. Os homens que relataram para a Renascença o jogo de quarta-feira não escondiam o tédio. E a modorra é mais do que justificada, diga-se. Acorrentada ao trauma da época passada, presa a um treinador que não pode respeitar, a equipa não corre, não pensa, não arrisca.  O Benfica 13/14 é tão entusiasmante como quatro velhinhas a jogar canasta. Sim, o último Benfica de Jesus é um fenómeno geriátrico.

O contraste com o passado recente é doloroso. O Benfica de Jesus fazia lembrar o Isaías, isto é, fazia dez remates em dez minutos, era um frenesim de oportunidades e golos, uma descarga neptuniana de electricidade. Finalmente tínhamos uma equipa que jogava à velocidade dos relatos da rádio. Durante quadro anos, o ritmo do relato e o ritmo do jogo estiveram irmanados, os relatadores não tinham de inventar nada, só tinham de descrever. Mas aquele Maio luciférico apagou a electricidade, que não voltará tão cedo. Nem o mais genial dos relatadores pode dar magia a esta equipa. 

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Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013
O fim de Jesus é o fim de Vieira
por Henrique Raposo, Sex 04/Out/13

Crónica de hoje do Expresso online

 

Reconheço o sabor desta temporada 2013-14, é aquele travo acre dos anos 90 e do início dos anos 2000. Parece que estou em 1996, 98 ou 2001. É aquele desânimo, o ver por obrigação uma equipa sem rumo. Não por acaso, voltei a entrar no erro benfiquista daquela negra época: a dança de treinadores. Tal como todos os benfiquistas, estou farto de Jesus, quero um treinador novo e tenho os meus candidatos. E até tenho razão para estar descontente. Depois daquele Maio traumático, o Benfica devia ter dispensado Jesus. Como isso não aconteceu, nós, adeptos e até jogadores, ainda estamos nas Antas e em Amesterdão, ainda estamos naqueles dois 90+2. Mas, atenção, o grande responsável por esta situação não é Jesus. O culpado é o Presidente Vieira. Por outras palavras, o nosso tema de debate não devia ser o pós-Jesus, mas sim o pós-Vieira. 

Para não despedir Jesus no final da época passada, Vieira agarrou-se ao trauma Fernando Santos. A comparação é incompreensível e revela logo à partida uma débil inteligência desportiva. Fernando Santos foi despedido na primeira jornada da sua segunda época. Uma precipitação, sem dúvida. Ao invés, Jesus estava há quatro anos no clube (um ciclo completo) e finalizou o ciclo com três derrotas traumáticas. O fim da Era Jesus era a única saída aceitável. Não está em causa a qualidade do futebol (questão técnica), mas a moral de um homem. Depois daquela descida aos infernos da bola, os jogadores e adeptos nunca voltariam a encarar Jesus da mesma forma. O balneário nunca mais estaria com ele. Como se vê agora. Toda a gente antecipou este cenário, Vieira foi a única pessoa no planeta que não quis ver o óbvio. É grave. O Presidente do Benfica não tem de perceber de futebol, mas tem de revelar sensibilidade para as coisas que estão além da folha de excel.

Fernando Santos e Jorge Jesus são o 8 e o 80, e o problema é que Vieira nunca conseguiu encontrar um meio termo na sua relação com os treinadores. Além disso, a gestão do plantel tem sido caótica e, passados doze anos de consulado Vieira, o Benfica ainda não fixou uma estrutura clara: quem é que manda no futebol? O que faz Rui Costa? O que faz Shéu Han? Carraça? Todas estas indefinições estão na base das nossas derrotas. Sim, é verdade que Vieira terá um lugar na história do clube. Os historiadores do Benfas dirão que "Vieira foi o presidente da transição, pegou num clube de joelhos e deu-lhe estruturas". Problema? Falhou no futebol. É tempo de passar a bola a outro. 

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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013
No país dos árbitros não há cavalheiros
por Henrique Raposo, Sex 27/Set/13

 

Crónica de hoje do Expresso online

 

Faltam muitos ismos a Portugal, mas estou desconfiado que a escassez de cavalheirismo está no topo da lista. Não, não estou a falar da delicadeza com as senhoras. Esse é o lado gingão do cavalheirismo. Falemos apenas da essência da coisa, por favor. Que essência é essa? Como diria o meu amigo Francisco Mendes da Silva, o cavalheiro é aquele que sabe reconhecer o mérito alheio, é o paxá que tem a auto-confiança necessária para assumir que o adversário mereceu ganhar. Não, não o confundam com o idiota que não se incomoda com a derrota. Cavalheiro não é eufemismo de falhado. O cavalheiro não gosta de perder, mas consegue ver dignidade na vitória do adversário. Até porque a sua evolução dependente desse acto de humildade. Só podemos corrigir erros se admitirmos a existência dos erros, não é verdade? 

Em Portugal, o cavalheiro passa por totó. Um facto bem evidente no futebol, o passatempo nacional. As equipas e respectivos adeptos nunca reconhecem o mérito do adversário. Sei do que falo. Como benfiquista, não tenho paciência para os benfiquistas que só fazem mal ao Benfica através das teorias da conspiração anti-Pinto da Costa. Nos últimos vinte anos só ganhámos três campeonatos, o resultado de precipitações, incompetência e amadorismo (a época passada está incluída nesta trindade negra). Mas, para milhões de benfiquistas, o Benfica perdeu a hegemonia do futebol português só por causa da relação promíscua entre Pinto da Costa e os árbitros. Essa relação existiu, mas não explica por si só o nosso fracasso. Não foi Pinto da Costa que contratou Tahar, Pringle, Quique Flores ou Emerson. Não foi Pinto da Costa que elegeu Vale e Azevedo. Não se pense porém que os benfiquistas têm o monopólio da falta de cavalheirismo. Em 2010, o Benfica ganhou o campeonato, apresentando o melhor futebol das últimas décadas em Portugal. Apesar da evidente superioridade do Glorioso, os adeptos do FC Porto nunca largaram a lengalenga do "túnel". E como é que justificam a hegemonia do Benfica ao longo dos anos 60 e 70? Era o clube de Salazar, dizem.

Com uma preguiça aflitiva, as TVs patrocinam este clima há décadas através dos inenarráveis paineleiros, verdadeiras comadres do bate-boca taberneiro. Até parece piadinha: estes senhores recebem milhares de euros para manterem conversas que podemos ouvir de borla ali na tasca do Zé. E o pior é que os jornais também acolheram este ar rasteirinho. Os cronistas que vestem as camisolas acabam por cair no habitual choradinho de queixas e insinuações. Ninguém parece interessado em partilhar o amor pelo clube, as suas memórias, as suas idas ao estádio, etc. Ou seja, ninguém parece interessado em escrever, em cronicar. E, acima de tudo, ninguém quer saber do cavalheirismo. Resultado? Como ninguém consegue assumir a justiça da vitória alheia, a conversa não sai do lero-lero sobre penáltis e um erro do árbitro deixa de ser um acaso e passa a ser a prova definitiva de um esquema maquiavélico.

Moral da história? Os outros nunca têm mérito, aliás, não existe mérito. É assim no futebol e, estou desconfiado, na vidinha em geral. O tuga encontra sempre um árbitro malévolo no trabalho, na escola, na estrada. A culpa nunca é nossa. 

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Terça-feira, 13 de Agosto de 2013
Benfica TV: jogos à tarde, sff
por Henrique Raposo, Ter 13/Ago/13
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Cara Benfica TV, venho por este meio comunicar uma ânsia partilhada por milhões de benfiquistas. Sim, sou uma espécie de oráculo da nação . E a gloriosa nação está a dizer o seguinte: sem a pressão noctívaga da Sport-TV, a nossa equipa pode voltar a um horário decente. A bola é à tarde, não à noite. O futebol é um jogo de família, é um ritual para pais, filhos, netos e avós. Ora, como se perceberá facilmente, essa partilha familiar só é possível à tarde. Imagine, minha cara amiga, que há um jogo ao domingo que termina às onze da noite. Eu nunca levarei a minha filha para um jogo com esse horário de boate, até porque ela terá escola no dia seguinte. O horário do Benfica, o clube do povo e não sei quê, não pode continuar a ser o horário nocturno que mata a magia do futebol às três da tarde.

O nosso grito do Ipiranga televisivo, caríssima Benfas-TV, só faz sentido se a equipa regressar à mística dos jogos à tarde. Sim, a mística não é só uma coisa de balneário , também pertence ao terceiro anel. E, na pobre cabeça de milhões de benfiquistas, o terceiro anel é sinónimo de três da tarde. Eu, por exemplo, só consigo associar os jogos do campeonato à tarde de sábado ou domingo. Perguntam-me várias vezes "ó doente, porque é que não vais mais vezes à bola?". De facto, é um pulinho de metro. A razão é simples: ir à bola só funciona à tarde. Um sujeito manja o almoço de sábado ou domingo e zarpa com a família para o estádio. É um ritual. Foi assim que aprendi com o meu pai. Como quase todos os benfiquistas, entrei pela primeira vez no velho Estádio da Luz num domingo à tarde. Foi o Benfica-Farense da época 90/91. Ainda me lembro do onze-base: Neno ou Silvino, Veloso, Ricardo, William, Schwarz, Paulo Sousa, Paneira, Valdo, Thern, Pacheco e Águas ou Magnusson. 

Eu respeito os benfiquistas que vão à bola às 21h de um sábado ou domingo. Mas eu não consigo, porque esse horário coloca a família e o Benfica em colisão e, como já expliquei, o Benfica só faz sentido em família. É assim tão difícil compreender isto? Quando decidimos ver o jogo em casa, a hora é indiferente, vemos à tarde ou à noite. Até podia ser de manhã. Mas, se a vontade é ir ao estádio, a hora do jogo não é indiferente. Caríssima Fox da gloriosa nação, escute com atenção este oráculo amigo: a nossa independência televisiva só faz sentido se devolvermos o futebol às três da tarde.   

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Sexta-feira, 2 de Agosto de 2013
Jogos às 15h, sim?
por Henrique Raposo, Sex 02/Ago/13
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