Quinta-feira, 8 de Março de 2012
Também nós, o público, ganhámos ao Zenith
por Nuno Camarinhas, Qui 08/Mar/12

Ir ao Estádio da Luz, na terça-feira passada, foi mais uma experiência inesquecível que o nosso clube nos proporcionou. A entrega da equipa, a sua exibição aguerrida, a comunhão dos jogadores com o público, empolgaram os quase 50.000 espectadores presentes. Já tudo se disse sobre o jogo. Queria apenas acrescentar duas reflexões.


A forma como os jogadores se entregaram à partida, ao mesmo tempo cientes de que o mínimo deslize podia custar muito caro e pacientes a desmontar o mandrião autocarro italo-russo que se preparava para estacionar à frente da baliza do Zenith, foi conquistando o público. Partilhando do optimismo assustado que, creio, fosse comum à maioria dos benfiquistas, cheguei a temer o pior quando a ébria claque dos de Leninegrado começou a fazer-se ouvir, calorosa. Dei comigo a cantar as canções dos No Name Boys cujas letras consigo reproduzir, para tentar juntar-me aos que foram contrariando a presença russa no estádio. Aos poucos a claque e os adeptos em geral conseguiram sobrepor-se. Que diabo, afinal estávamos em casa. E percebi como vão longe os tempos em que não tinha uma boa opinião sobre as claques. Cresci no auge do hooliganismo e sempre as vi como um misto de truculência e de tuna académica. Desde que vou ao estádio com mais regularidade, e talvez por ter amigos na claque, comecei a tentar ir para além do meu preconceito. Desde que não existam  comportamentos violentos e anti-desportivos, actualmente acho que desempenham um papel essencial no espectáculo, com os cânticos incessantes de incentivo aos nossos. No final do jogo, quando Nélson Oliveira ainda não tinha marcado o 2-0 do alívio e os russos tentavam uma última vaga desesperada de ataque, Luisão virou-se para o público, depois duma corrida para um corte heróico no flanco esquerdo do Zenith, a pedir (ainda) mais apoio. O público correspondeu, num momento arrepiante de ubíquo benfiquismo. Foi das memórias que ficarão deste jogo brilhante.

 

Depois dei comigo a pensar nos cânticos. O Estádio da Luz já tem alguns que considero bastante bons: o que acompanhou a conquista do primeiro campeonato da era de Jorge Jesus («oh, Sport Lisboa e Benfica, o campeão, mostra a tua raça, o crer, a ambição»), o do Aimar (se bem que não se tratando de um original) e aquele que pôs o Estádio inteiro a cantar contra o Paços de Ferreira («até morrer, Benfica, até morrer»). Mas há muito trabalho pela frente na construção de um reportório de apoio benfiquista. Há cânticos que acho infelizes. Termos um cântico que é uma adaptação de «(Volare) Nel blu dipinto di blu» é infeliz: por um lado, porque não devíamos ter nada que ver com referências ao azul; por outro, porque, no ritmo em que normalmente é cantado, soa a canção de embalar, que é a antítese do cântico de estímulo desportivo. Mesmo o do Aimar, acho pouco simpático para com o nosso mago: começa por elogiá-lo e tal, mas rapidamente o Pablito é esquecido e passa-se os três quartos restantes da canção a falar do Benfica. É como se o hino nacional começasse a falar de Portugal nos dois primeiros versos e depois passasse o resto do tempo a falar da Europa e do planeta Terra. É claro que é o Benfica, mas o Aimar merecia mais destaque (não há assim tantos jogadores como ele).

 

A minha sensibilidade musical faz-me ter um sonho que sei ser totalmente irrealista: ter uma claque com bom gosto musical. Melhor ainda, ter um estádio indie. A equipa aquecia ao som do «Benfica» do Panda Bear em loop (podia mesmo ser dj residente em dias de jogo). A claque ia buscar inspiração a canções decentes e tinha boas letras, com métrica correcta. Há tanta coisa empolgante que podia ser usada. Só para alguns exemplos, sempre achei que «Oh Brother!» dos The Fall, «Age of Consent» dos New Order, «Laissez Faire» dos Stereolab, bem trabalhados, davam bons cânticos de estádio. E, já agora, que à entrada do Estádio, distribuíssem folhetos com as letras dos cânticos para que todos pudéssemos acompanhar, a plenos pulmões, como na missa.

 

Se tivesse poderes para isso, até era capaz de propor uma águia de ouro a quem adaptasse a cântico de claque, os versos da «D. Filomena» do B Fachada, quando o Tio B canta «os corvos lhe tirem os olhos / os corvos lhe tirem os olhos / as águias, o coração / as águias, o coração».


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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Pequeno Genial
por Nuno Camarinhas, Sex 10/Fev/12

E à festa da renovação do Aimar, junta-se a festa de aniversário do irrepetível Fernando Chalana. Parabéns, Pequeno Genial!

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Nota artística
por Nuno Camarinhas, Sex 03/Fev/12

Andei estes dias todos a tentar lembrar-me onde estava. Lembrava-me de ter lido no Blitz, algures nos 80, a notícia da aparição de uma imagem do eterno Manuel Galrinho Bento numa peça de arte. Até há poucos minutos estava convencido de que era numa capa de um disco. A nossa memória tem destas coisas e associei Blitz a música. Até achei que teria esse disco em casa. Vasculhei toda a minha discoteca e nada. Até que agora, há poucos minutos, o meu amigo Luís Guerra, sportinguista mas excelente pessoa, encontrou, nos arquivos do Blitz, na edição de 6 de Janeiro de 1987, a notícia de que me lembrava. E como é com o Bento e a nossa grandeza também se faz destes felizes acasos, aqui fica para nosso deleite.
Afinal não tinha nada a ver com música, mas lá estava o Bento, em cima, numa carica do México 86. É uma colagem do artista plático britânico David Blaney em torno duma viagem a Portugal.

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Bah.... reforços de Inverno...
por Nuno Camarinhas, Ter 31/Jan/12

Duas ideias para reflectirmos sobre a vinda do Djalol

 

Primeira ideia:

Já nem nos devíamos incomodar com esta coisa dos reforços de Inverno. O Benfica nunca foi lá muito bom nisso. Vendo uma lista que A Bola publicava aqui há dias, em 16 épocas, eu diria que, dos quarenta e tal jogadores que o Benfica inscreveu na abertura de mercado de Inverno, houve dois ou três (estou a pensar em Poborsky, Geovanni e David Luiz) que vingaram. De resto, quase tudo erros de casting e uma carga de trabalhos para o departamento de colocação de jogadores excedentários.

 

Segunda ideia:

Com a excepção do Simão e da épica passagem de Futre pelo nosso plantel, raramente um jogador vindo do clube do fosso fez história de vermelho (Luís Filipe, Peixe, Caneira, Dani, Marinho, Amaral, Cadete, Porfírio, só para citar os mais recentes e notórios).

 

Não me parece um jogador identificado com o Benfica e, por enquanto, vejo-o mais como um sapo que teremos que engolir. Ao menos que marque um golo bonito à ex-equipa, para o campeonato ou para a Taça da Liga. Vá ao Marquês celebrar o título sem a mulher, e depois volte à sua vida. Ou então que me faça arrepender de ter pensado isto tudo.

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Benfiquismo
por Nuno Camarinhas, Ter 31/Jan/12

Sou Benfiquista de geração espontânea. O meu pai era sportinguista anti-benfiquista, de lugar cativo. Mas era o pós-25 de Abril, o Benfica tinha uma grande equipa e o vermelho para mim era a cor certa. As colecções de cromos só tinham interesse na página do Benfica. O emblema do Benfica era um cromo de sonho e até o cromo do Lajos Barotti era como se saísse a fotografia dum avozinho perdido numa carteira. Adorava o Benfica, contra tudo e contra todos. Queria ser o Carlos Manuel e tinha uma camisola com o número 6, que picava. Na praceta onde cresci, havia um senhor (verdadeiro apóstolo do benfiquismo), de precoce cabelo branco ondulado, que levava à Luz os miúdos que quisessem ir ver o Benfica. Foi com ele e com uma série de amigos, que (confirmei mais tarde no Almanaque do Benfica), no dia 9 de Dezembro de 1980, com 8 anos, assisti a um Benfica, 4 – Belenenses, 1 (um do Shéu, dois no Néné e um do Reinaldo), da 13.ª jornada dum campeonato que venceríamos. No terceiro anel, claro. Ainda tive direito a mais uns jogos assim. Depois passei a ir sozinho ou com os meus primos. Hoje gosto de ir em família (somos todos do Benfica, claro) embora maioritariamente apenas com o meu filho. Fiz questão que, ele também, se estreasse num Benfica-Belenenses (curiosamente também de um ano em que seríamos campeões). Em épocas como estas não é tão difícil a educação do jovem benfiquista. Aqui há uns anos era mais complicado – a isso voltarei noutro post. Acho que tenho feito um bom trabalho. Mas há uma coisa que ainda não admito: quando ele se vira para mim, como no outro dia, e lançou a seguinte leviandade: «eu sou mais benfiquista do que tu». O pirralho, que ainda mal distingue a Taça Eusébio da Liga dos Campeões...
Depois de me ter tornado sócio há um ano (prenda de aniversário da minha mulher), agora fui convidado, pelo Miguel Noronha, para escrever neste blog. Acho que nunca pensei chegar tão alto na minha carreira de benfiquismo (se não contarmos os títulos oferecidos no Championship Manager). Dias gloriosos.

música: Panda Bear - Benfica
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