Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Da Austrália, com amor
por PRD, Seg 16/Abr/12

O meu filho António Maria, 16 anos, tem uma mãe sportinguista e um pai benfiquista. Fez a sua escolha. A certa. Actualmente, estuda na Austrália, perto de Brisbane, na Gold Coast, e quando fez a mala para a longa viagem teve de ser comedido na bagagem, não cabia tudo. Mas é claro que couberam o cachecol, a bandeira e a camisola do Benfica. Às vezes vejo-o online no Skype nos momentos em que o clube joga - e lá, do outro lado do mundo, é de madrugada...

Por tudo isto, lembrei-me de lhe pedir um post aqui para o blog. Foi o que ele me mandou, e até me comovi:

 

“Quando eu era pequeno o meu pai dizia-me que nas visitas ao estrangeiro um português ao admitir a sua nacionalidade é sempre bombardeado com as palavras “Benfica” e “Eusébio”. Como jovem inocente que era, acreditei e cresci a pensar na enormidade do glorioso, e como sempre seria admirado quando visitasse outros países.

   Há dois anos, fui de visita à China. Em Pequim, quando disse ser de Portugal, falaram-me em Cristiano Ronaldo. Que falta de tacto. Mas são chineses, pensei. Não deviam bem perceber o que estavam a dizer. No fundo, não faziam bem parte do estrangeiro a que o meu pai se referia. Era um outro mundo.

   Então, este ano quando ficou decidido que iria estudar para a Austrália, o entusiasmo voltou a crescer. Iria obviamente ser acolhido como um herói. Vesti o meu fato de treino do Benfica para a viagem, e aguardei pacientemente que multidões se juntassem a mim gritando “Eusébio” e “Benfica”. Estranhamente, nada aconteceu. Mas eram aeroportos e aviões, e raciocinei que toda a gente estaria a tentar seguir as regras da boa educação e tentar não incomodar os demais viajantes.

   Quando cheguei à Austrália, tive finalmente que me confrontar com a realidade. Os australianos não sabem o que é Portugal nem onde se localiza. Pior: não sabem o que é o Benfica. Se acham que é suficientemente mau, então vejam o seguinte: os poucos que reconheceram o nome do país, falaram-me de novo em Cristiano Ronaldo.

   E assim entrei em depressão. Longos dias de choro, agarrado ao cachecol do glorioso. Mas houve um momento em que tudo mudou: o Benfica acabara de enxotar o Zenit para fora da Liga dos Campeões. Tal feito põe qualquer benfiquista em êxtase, e eu não fui excepção. À vitória, aliei uma grande vontade de mostrar aos australianos o que é afinal isto do glorioso Benfica.

   Iniciei a angariação e doutrinação de novos fiéis. Há tantos séculos atrás instruímos os Índios na América, ensinámos-lhes latim e os princípios da igreja. Esta, seria apenas uma versão actualizada. Vesti-me a rigor, levei o cachecol e a bandeira e fui para a rua pregar. Tentei explicar-lhes que também seguimos Jesus, que temos a nossa própria catedral onde veneramos os deuses, e que também temos cânticos religiosos. Esforcei-me por ensinar-lhes o Benfiquês e a mística do clube. As primeiras palavras, obviamente as mais essenciais: Eusébio, Rui Costa, Nuno Gomes, Aimar, e por aí fora...

   Não perceberam. Especialmente, não perceberam por que é que - se éramos assim tão bons - não tínhamos Messi ou Ronaldo, e por que é que não ganhávamos ao Chelsea. Numa coisa tenho que concordar com eles. O Benfica pode ser o maior, mas de momento não é o melhor; longe vão os tempos do Eusébio. O meu pai disse-me que esses tempos voltarão. Espero que sim. Porque de momento, o melhor é o Barcelona.

   Com tudo isto, concluí que o benfiquismo é algo que nasce connosco, que nos torna únicos. “É ter na alma uma chama imensa”, e é quando libertamos um pouco dessa chama que silenciamos facilmente Old Trafford, o Petrovskiy Stadium, e na semana passada Stamford Bridge. É essa chama que me faz, semana após semana de Austrália, estar acordado às três, quatro, cinco da manhã, para ver o glorioso jogar através do pequeno écran do computador. Monto o estendal de bandeiras e cachecóis e ponho a camisola vermelha que nos identifica. E esses são os pequenos momentos de festa para nós, os benfiquistas. Nos quatro cantos do mundo, quando o glorioso joga, é um momento divino. Milhões a concentrar-nos em torno das televisões que transmitem a oração: “Ser benfiquista, é ter na alma a chama imensa, que nos conquista...”

António Maria de Penha Coutinho Rolo Duarte".

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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
Entendo o futebol como entendo a música ou o cinema, a literatura ou a culinária: todos temos os nossos gostos, as nossas preferências, e isso não faz de nós piores pessoas. Pelo contrário: faz de nós pessoas - logo, melhores pessoas.

Quem comenta, critica, analisa, estas artes e actividades, não deixa de ter preferências pelo facto de comentar. Lembro-me sempre do meu pai, que muitas vezes me dizia que só valia a pena dizer mal do restaurante que nos desilude por ter obrigação de ser bom, não daquele que sempre foi mau. Ou seja, merece bola preta aquele de quem esperamos cinco estrelas e não nos convenceu.

Neste quadro, não consigo perceber a polémica que envolveu o meu amigo, “sócio” e compadre João Gobern – e o consequente afastamento do programa Zona Mista, na RTP-I. O facto de ser benfiquista nunca fez dele um comentador menos rigoroso (até já ouvi acusações de que era excessivamente exigente para com o Benfica...), e não conheço um só amante de futebol que não vibre com as vitórias do seu clube. É o mínimo. É o âmago da coisa.

Entender o futebol como ciência e tratá-lo como assunto político – em que cada clube é um partido – é absurdo, estapafúrdio, e paradoxal com o próprio futebol, na essência uma actividade lúdica e que naturalmente legitima paixões. Não perceber isto é levar a vida demasiado a sério – “não bom”, como gosto de dizer...

Como se não bastasse, o caso serviu para alimentar a gritaria sobre o serviço público de televisão. Já percebi que agora é mesmo assim: qualquer coisinha que ocorre nos canais estatais de comunicação e aqui-del-rei que é o serviço publico e o povo a pagar e o catatau. Fica escrito: os mesmo que agora reclamam ainda vão ter muitas saudades do tempo em que havia dois canais de serviço publico de televisão. Como vão ter saudades da inteligência, do saber e do falar português (tão cada vez mais raro...) que o João levou à Zona Mista.

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Terça-feira, 27 de Março de 2012
Mistérios do mundo publicitário
por PRD, Ter 27/Mar/12

Só há uma certeza sobre qualquer jogo de futebol: o árbitro é sempre odiado. Se fizer mal o seu trabalho, é odiado por isso. Se fizer bem, também. Se for parcial, é muito odiado. Se for imparcial, também.

Dito isto, não consigo perceber o interesse da imobiliária ERA em patrocinar os árbitros, fiscais de linha, até o quarto árbitro, nos jogos da Liga Portuguesa.

É masoquismo? Gosto em deitar dinheiro à rua?

Ou há estudos que provam a eficácia do acto tresloucado de associar uma empresa ao mais odiado dos profissionais que pisam a relva de um campo de futebol?

Alguma vez compraria uma casa a uma empresa que enfeita as camisolas dos árbitros de futebol? Eu não.

Enfim, poderia deixar mais algumas perguntas, mas não interessa nada. O futebol, como bem sabemos, tem demasiadas questões cuja explicação está para lá da mediana compreensão de qualquer de nós.

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Terça-feira, 6 de Março de 2012
E para hoje é isto:
por PRD, Ter 06/Mar/12

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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Carrega!
por PRD, Seg 30/Jan/12

Venho só marcar presença na abertura desta Catedral. E dizer que, neste blog, sou seguramente o autor que menos percebe de futebol. O que tem mais duvidas. O que assinala faltas inexistentes e foras de jogo que afinal não eram. O que viu menos jogos. O que foi menos vezes à Luz. O que começou a ver futebol depois dos 30, isto é, depois de ser pai de um rapaz que “decidiu” gostar de futebol e que, entre pai benfiquista e mãe sportinguista, seguiu não o cherne, mas o pai.
Dito isto, sou benfiquista como sou português – sem ponta de dúvida, sem que isso seja discutível.
E a minha presença neste blog vai ser marcada apenas por essa diferença: eu não pretendo vir a perceber mais do que percebo de futebol para poder melhor defender o meu clube. Não preciso. Basta ser. Basta ao domingo mandar uma mensagem para bem longe, onde o meu filho estuda, simples e rápida como esta:
“Meu filhoooooooooooooooooooo,
Grande momento: Porto perdeu com Gil Vicente 3-1, Benfas ganhou 2-1, tamos com 5 pontos de vantagem!!!!!
Carrrrreeeggggggaaaaaaaaaaaaaaaaa!”
E é isto, para começo de conversa.

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