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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Jasus

19.08.12, Sérgio Lavos

 

O Nuno Gouveia focou-se - e muito bem - no absurdo problema do lateral-esquerdo, mas o Benfica que voltou a não ganhar numa primeira jornada do campeonato foi prejudicado por opções absurdas de Jorge Jesus.

 

O onze inicial não lembra a ninguém, muito menos ao Diabo (que até é vermelho). Passando pela mesma defesa da época passada enxertada com um boa promessa de extremo queimada (para já) pela teimosia do treinador, passamos para o meio-campo e vemos o nosso jogador mais criativo a ser encostado a Javi Garcia. Witsel, que tinha vindo a fazer uma excelente pré-epoca jogando lado com Carlos Martins, teve de recuar e preocupar-se com situações defensivas, apenas para que pudesse entrar Rodrigo. Se a ideia parece meritória em teoria - tudo indica que o jogador espanhol está de volta à boa forma pré-sarrafada de Bruno Alves -, na prática Jesus mudou o modelo da pré-epoca; e num jogo de dificuldade elevada. Para além disso, Cardozo, depois de um jogo a meio da semana e de uma viagem de regresso extenuante, foi o parceiro escolhido para o ataque. Resultado: um buraco no meio-campo, entre Witsel e Rodrigo - que apenas foi compensado a espaços com as descidas e os sprints deste último -, e o fio de jogo, tão arduamente entretecido por Carlos Martins nos jogos de preparação, quebrado.

 

Nas alas, mais dois equívocos: Bruno César jogou quase todos os jogs anteriores a estes na posição 10 e agora voltou a ser encostado à extrema. Ainda por cima, a extrema onde ele menos rende, a esquerda. Tudo para que pudesse entrar a contratação de última hora, Sálvio, sem treinos nas pernas e sobretudo sem entrosamento com a equipa. No banco, o regressado Enzo e o dinâmico Nolito olharam para um jogo apagado de César uma partida aos repelões de Salvio - sem dúvida que este estará na primeira linha para ser titular e hoje já provou a sua utilidade, mas deixar no banco que começava a ganhar confiança (Enzo) para entrar um recém-chegado mostra que o Jesus não sabe gerir o plantel da melhor forma. Talvez por isso Enzo quando entrou pouco tenha feito. Da bancada, olhava o jogo a contratação de oito milhões, Ola John, que pelos vistos já foi encostado por mais uma birra de Jesus. Incompreensível.

 

Poder-se-á dizer: foi apenas o primeiro jogo, foi apenas um empate. Não, não foi. Foi o demolir de grande parte do que tinha sido feito na pré-epoca. O Benfica tinha um modelo no qual Carlos Martins pautava o jogo. Hoje, ficou a ver os colegas perderem-se em raides individuais com pouco nexo. Quando a equipa precisava de arrancar para a vitória, Jesus tirou o melhor jogador do Benfica, Rodrigo, e fez entrar um Aimar vindo de uma lesão, a jogar pela primeira vez esta época. Risível, sobretudo quando (lá está) Martins continuou sentado. Jorge Jesus errou em quase tudo: na equipa inicial, nas substituições, no sistema e no modelo de jogo. O problema não é só Melgarejo - e espero que não se perca o que poderá ser um bom extremo apenas porque Luís Filipe Vieira não quis comprar um lateral que chegasse para ser titular e Jesus acha que pode encontrar duas vezes ouro, depois do achado Fábio Coentrão. Melgarejo não merece. 

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