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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Benfica 2-2 Braga

19.08.12, Filipe Boto Machado

O Sérgio Lavos e o Nuno Gouveia já disseram quase tudo. Dois ou três pontos que gostaria de referir e que reforçam parte do eles já disseram:

 

- Jorge Jesus é o grande culpado deste mau início de campeonato. Durante toda a pré-época, o Benfica jogou em 4-2-3-1. No primeiro jogo do campeonato, o mestre da táctica decide jogar em 4-4-2. Hoje, regressámos ao passado (mais precisamente há 2 anos atrás, antes da chegada de Witsel e mudança do sistema de jogo) e voltámos a sair a jogar daquela forma ridícula que não deixou saudades e que é mais ou menos isto: Javi García recua e coloca-se entre os centrais, formando uma linha de três, Witsel obviamente é forçado a recuar, os laterais sobem, os extremos colocam-se na linha dos avançados, formando uma linha de quatro; entre o trio Javi García-Luisão-Garay e Cardozo-Rodrigo, na zona central do campo, existem 30/40 metros ocupados apenas por Witsel; quando pressionados, os defesas jogam para o lateral ou dão um chutão para a frente, entregando a bola ao adversário; se a bola for entregue ao lateral, este tenta jogar no extremo e em tabelas procuram chegar até à linha; o meio campo é, deste modo, entregue ao adversário. O nosso catedrático viu isto impávido e sereno com Carlos Martins e Aimar ao seu lado. O Benfica só criou perigo aos repelões, não teve posse de bola e precisou sempre que alguma individualidade levasse a bola para a frente e fizesse sozinho o que em conjunto, por existir demasiado espaço entre sectores, a equipa não foi capaz de fazer. Que grande equipa no futebol europeu joga com apenas dois jogadores no centro do meio-campo, sendo um deles Javi García, um jogador que joga como puro trinco à frente dos centrais? Que equipa quer vencer um jogo, entregando o meio-campo ao adversário?

 

- Enzo Pérez e Carlos Martins, os jogadores em maior destaque pela positiva na pré-época, ficaram no banco. Carlos Martins nem chegou a entrar. Salvio e Rodrigo, que nunca jogaram um minuto na pré-época, foram titulares (e diga-se em abono da verdade, individualmente, nem jogaram mal). Bruno César fez a pré-época como 10 e sempre jogando mal, mas hoje foi aposta para a esquerda, passando ao lado do jogo. No banco não tínhamos um único ponta-de-lança, pois os únicos dois convocados foram titulares, mas tínhamos três extremos e dois "10". Em suma, JJ passou uma mensagem negativa a Carlos Martins e Enzo Pérez, escolheu mal o 11, escolheu mal o banco e fez mal as substituições. Pior era difícil!

 

- Melgarejo foi a aposta para lateral esquerdo e fez o óbvio: cometeu erros. Durante toda a pré-época foi raro o jogo em que não errou e os seus erros não deram golo. Hoje era natural que acontecesse o mesmo. A culpa não é dele. A culpa é de quem, por capricho e mais uma manifestação de vaidade, quer descobrir nele um novo Coentrão (foi assim com Roberto e Emerson, teimosias de um tipo que não tinha onde cair morto antes de vir para a Luz e agora se acha o rei do futebol português). Queima-se um bom extremo e perdem-se pontos. Era quase certo que Melgarejo ia errar no jogo de hoje. Era provável que um desses erros acabasse em golo. Foram dois erros e dois golos. Investe-se dezenas de milhões de euros num plantel cheio de soluções do meio campo para a frente e o catedrático decide tramar tudo com a invenção de um lateral esquerdo. Como pode uma equipa querer ser campeã sem um lateral esquerdo a sério? Estou farto de ver estes disparates acontecerem com a conivência do presidente do Benfica...