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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Um desastre anunciado?

03.09.12, Sérgio Lavos

 

A venda de Witsel parece ter sido, de tudo o que tem acontecido no Benfica esta época, o acontecimento mais inevitável. A cláusula foi batida e o jogador preferiu os rublos russos à mística benfiquista. São escolhas - e, sem cinismos, espero que ele consiga ter uma carreira à altura do grande jogador que pode vir a ser. Não sei é se um Zenit movido a petrorublos é a melhor escolha.

 

Mas adiante. O problema foi o absoluto desequilíbrio nas contratações: extremos e avançados para dar, vender, emprestar e o que mais viesse e o absurdo de continuarem a existir posições deficitárias no plantel. Passando à frente do problema das duas laterais, a verdade é que o meio-campo também foi esquecido. Havia apenas um número seis que se foi embora por um preço demasiado baixo - Javi Garcia - e na realidade apenas contávamos com mais três jogadores para a posição 8: Carlos Martins (que tem problemas recorrentes com lesões), Witsel e Matic - sim, ele é mais 8 do que um 6. Witsel partiu, e Matic recua para o lugar de Javi. Não faz o lugar tão bem, é claro, e se se lesionar, não há ninguém para o substituir. Jesus já falou dos centrocampistas da equipa B. Mas André Almeida não conseguiu um lugar na época passada - parece-me um jogador mediano - e André Gomes, apesar de ter bastante potencial, ainda é demasiado verde. 

 

Vamos jogar contra o Barcelona na Liga dos Campeões e temos um longo campeonato pela frente. Muito sinceramente, o Benfica, com a saída de Javi e Witsel, parece-me mais fraco em várias das coisas em que era forte: na capacidade de pressionar alto, sobre a defesa contrária - quantas bolas terão sido recuperadas por Witsel e Javi na época passada? - e na qualidade de posse de bola proporcionada por Witsel. Se nos jogos do campeonato esse factor será menos importante - exceptuando os três do costume, são pouquíssimas as equipas da liga que conseguem manter o mesmo ritmo de pressão ao longo de noventa minutos - na Liga dos Campeões essa falta vai se notar, e muito. Não esquecer o Barcelona, e se é verdade que a equipa catalã se destaca pela capacidade atacante e pelas altas percentagens de posse de bola, a verdade é que grande parte do segredo está na recuperação defensiva e da intensidade que os jogadores colocam na pressão sobre o adversário - a posse de bola conquista-se, não cai nos braços das equipas. E sem Witsel, sem a sua tranquilidade, controlo de bola e classe, iremos passar por muitos problemas. São só dois jogos, que podemos perder e mesmo assim passar à fase seguinte? Não. São dois jogos que não podemos perder por muitos; caso contrário, a moral da equipa esvazia-se irremediavelmente.

 

Se eu já não estava muito optimista, fiquei, em quatro dias, bastante mais apreensivo. É verdade que temos um Salvio em grande forma, um Rodrigo a prometer bastante e jogadores como o regressado Enzo, Nolito, Bruno César e o sempre grande Aimar. Será suficiente?

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