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Catedral da Luz

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Eleições no Sport Lisboa e Benfica

23.10.12, Filipe Boto Machado

A campanha para as eleições no Sport Lisboa e Benfica está a ser uma desilusão. Não se discute nada de jeito. O que falta em projectos e ideias sobra em movimentações de bastidores que cheiram muito mal e devem preocupar os benfiquistas. Acho que muitos benfiquistas terão dúvidas e diferentes opiniões, mas poucos discordarão que o Benfica merecia mais e melhor.

A campanha tem sido mais ou menos isto. De um lado a lista A, de Luís Filipe Vieira, acena com o bicho papão de um novo Vale e Azevedo, alertando os benfiquistas para o abismo em que cairá o clube se eles de lá saírem. Do outro lado a lista B, de Rui Rangel, apresenta um vazio de ideias, optando pelo caminho fácil de discutir o benfiquismo de Vieira, a falta de jogadores portugueses e uma conversa superficial sobre a situação financeira do Benfica, sem concretizar grande coisa. A lista B pede um debate, a lista A recusa-o. Claro que, na minha opinião, devia existir debate. No entanto, pelo que tenho tido oportunidade de conhecer, seria uma espécie de conversa de café, com argumentos populistas e discussões de benfiquismo ou falta dele.

Quanto às movimentações que cheiram muito mal, na lista A, José Eduardo Moniz aparece como aliado de Vieira, quando há três anos era opositor. Dizia-se há três anos que tinha interesse em entrar no Benfica devido aos direitos televisivos e à sua ligação com a Ongoing. Agora entra no Benfica e diz que está disponível para ajudar o Benfica naquilo que for necessário, nomeadamente onde tem mais experiência, i.e. "media e direitos televisivos". Não sei porquê mas desconfio desta movimentação. Na lista B, gravitam em redor de Rui Rangel os suspeitos do costume, aqueles que estão do lado de quem os levar até à estrutura do Benfica: José Augusto, António Veloso, Olavo Cunha, José Veiga, João Carvalho, Cunha Leal, entre outros. Porque motivo são sempre os mesmos a juntarem-se sob a liderança de diferentes cabeças de cartaz (nestas eleições é Rangel, nas anteriores era Moniz)? Estivesse LFV disponível para aceitá-los na estrutura e poderíamos vê-los no outro lado da barricada. Este facto não abona a favor destes senhores.

Gostava de ter assistido a outro tipo de campanha. Menos populismo, mais ideias e projectos. Quanto a LFV, podemos avaliar o que fez. Não fará nada de muito diferente. Vai ser mais do mesmo e o mesmo não tem sido bom. Recuperou a credibilidade do clube, mas é preciso dar o passo seguinte. Voltar a vencer e ocupar o lugar natural do SLB no futebol português. Este mandato, disse ele nas últimas eleições, era destinado ao sucesso desportivo. Caro LVF, um campeonato é pouco, o balanço não é positivo e não me parece que existam desculpas para este desempenho. Isto para não entrar em considerações sobre a estratégia que existe para o futebol que é desastrosa e levanta muitas suspeitas quanto aos verdadeiros interesses que existem em certas decisões e à competência de quem tem que decidir. No que diz respeito a Rui Rangel, até agora não me convenceu que seja melhor e não me parece, pelos motivos já citados, que tal fosse difícil. Em primeiro lugar, rodeou-se de pessoas que não me transmitem confiança. Ter na sua órbita José Veiga e falar de ausência de benfiquismo no actual quadro dirigente do Benfica é fazer pouco do verdadeiro benfiquista que o tenta escutar com atenção. Sim, José Veiga não está na lista de Rangel como vice, mas nunca me passou pela cabeça que estivesse. Se aparecer na estrutura será como director para o futebol, cargo para o qual ainda não conhecemos a escolha de Rui Rangel. Demarcar-se deste sujeito era das primeiras atitudes sensatas que o candidato da lista B devia ter tido. Em segundo lugar, tem optado pelo caminho fácil e populista. Ataca LFV, discute o benfiquismo de quem dirige o clube, fala de falta de portugueses e diz-se benfiquista dos 7 costados. Pouco, muito pouco, e não era difícil fazer melhor.

Em suma, queria uma mudança no Benfica para melhor. A alternativa a LFV não tem sequer tentado provar que poderia fazer melhor. Aposta que eu lhe vou dar o meu voto, simplesmente porque estou farto de quem dirige o clube actualmente. Assim não. Votarei LFV contrariado e não só tentarei acreditar que desta vez vai correr melhor, ele e JJ terão aprendido com erros do passado, como ficarei com a esperança que Moniz não vá para o Benfica com as (más) intenções que já foram publicamente reveladas há cerca de três anos. Votar no desconhecido só porque estou insatisfeito com a realidade que conheço e arriscar ver Veiga e demais abutres a dirigirem o Benfica é algo que não posso fazer. Quem sai a perder com tudo isto é o Benfica.

2 comentários

  • Foi mais ou menos o que acabei por decidir fazer. Não vou votar em nenhuma das listas, pois nenhuma oferece credibilidade. Quando escrevi este post pensava votar na solução mais segura: ficar com LFV em vez de votar no escuro, num conjunto de pessoas de quem não espero nada de bom. No entanto, os últimos dias de campanha, o comportamento de LFV , culminado com a oportuna cartada da ruptura com a Olivedesportos que lançou dois dias antes das eleições, fizeram-me repensar o meu sentido de voto. Nenhum me convence. Não posso pactuar com tanta falta de princípios. Deste modo, não voto em nenhum deles.
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    CorretorMais

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