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Catedral da Luz

Catedral da Luz

No estádio

01.04.13, Bruno Vieira Amaral

Sou um benfiquista de sofá. Preguiçoso. Volátil. Por vezes nem sequer vejo os jogos na televisão. Sofro muito. Outra razão para não ir ao estádio é, digamos, demográfica. Nós somos mais de 6 milhões e o estádio só tem capacidade para 65 mil. Não quero arranjar chatices com ninguém e há pessoas que gostam mesmo de ir ao estádio, gostam de ver a bola ao vivo, e assobiar ao vivo, mostrar lenços brancos ao vivo e berrar insultos que o árbitro não ouve (“o Pinto da Costa está a dormir com a tua mulher”, por exemplo). Como normalmente jogamos tarde e a más horas, seja ao sábado ou ao domingo, por conveniência do nosso querido parceiro televisivo, adeptos bissextos, como eu, não têm incentivos para ir ao estádio. Mas esta semana, semana santa, fui ao estádio da Luz. Não foi por estarmos na mó de cima. Foi por altruísmo. Foi a primeira vez que levei o meu filho ao estádio. E valeu a pena. Não só por causa dos seis golos, mas por tudo o resto. A antecipação, o caminho para o estádio, o entusiasmo infantil de quem, nas palavras dele, dava “os primeiros passos no estádio da Luz”, depois a dizer-me, assim que se sentou na cadeira, que “isto é muito melhor do que na televisão”, o ambiente norte-coreano de emoção quando se canta o hino, o voo da Vitória, o Cardozo que estava ali a aquecer, a euforia colectiva com a entrada do Aimar em campo – prova que os adeptos benfiquistas são uns sentimentais – o cachorro que o meu filho devorou ao intervalo, o pedido dele para ficarmos no estádio até ao último minuto, o caminho de regresso a casa. Voltámos cansados e felizes como só se pode ficar com esta coisa tão arcaica, tão simples e tão bela que é um jogo da bola do nosso (meu e do meu filho) Benfica.

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