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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Renovar com Jesus

14.05.13, Lourenço Cordeiro

Este texto tem de ser escrito agora, ainda durante o período de convalescença do jogo do Dragão e antes de sabermos o resultado da final de amanhã, porque me parece que a avaliação que os benfiquistas andam a fazer de Jorge Jesus está injustamente dependente daquele golo. Se aquele golo não tivesse acontecido - e este é um cenário que encontra naquilo que se passou durante dos 90 minutos anteriores uma base suficientemente sólida para que o levemos a sério - a entrada do Roderick aos 71 minutos seria esquecida para todo o sempre. Jesus teve azar. Ficou a três minutos de ser consagrado como o mestre da táctica, como o treinador que anulou o Porto no Dragão. O Porto, lembremos, que não perde para o campeonato há 71 jogos. Convém lembrar contra quem - e o quê - lutamos todos os anos.

 

Vale a pena, por isso, olhar para os números destas quatro épocas de Jesus, e compará-las, por exemplo, com as quatro épocas anteriores do Benfica.

 

2009 / 2010 - Campeão, com 4 empates e 2 derrotas. 78 golos marcados, 20 sofridos.

2010 / 2011 - 2º classificado, com 3 empates e 7 derrotas. 61 golos marcados, 31 sofridos.

2011 / 2012 - 2º classificado, com 6 empates e 3 derrotas. 66 golos marcados, 27 sofridos.

2012 / 2013 - Pior cenário: 2º classificado, com 5 empates e 1 derrota. 74 golos marcados, 19 sofridos.

 

A isto soma-se uma meia-final da Liga Europa (perdida para o Braga, na época horribilis 2010/2011), uns quartos-de-final da Liga dos Campeões, e uma final da Liga Europa (primeira final europeia desde 1991).

 

Antes de Jesus chegar, as coisas corriam deste modo ao Benfica:

 

2008 / 2009 - 3º classificado, com 8 empates e 5 derrotas. 54 golos marcados, 32 sofridos.

2007 / 2008 - 4º classificado, com 13 empates e 4 derrotas. 45 golos marcados, 21 sofridos.

2006 / 2007 - 3º classificado, com 7 empates e 3 derrotas. 55 golos marcados, 20 sofridos.

2005 / 2006 - 3º classificado, com 7 empates e 7 derrotas. 51 golos marcados, 29 sofridos.

 

Ou seja: com Jesus, o rendimento do Benfica subiu visivelmente. Melhorou também, e de que maneira, o futebol que a equipa joga. Com Jesus, as vendas principais de jogadores totalizaram 175 milhões de euros (David Luiz, Ramires, Di Maria, Fábio Coentrão, Javi Garcia e Witsel). E mesmo a época horrível de 2010 / 2011, com 3 derrotas nas primeiras 4 jornadas do campeonato, não se compara com o Benfica que Jesus herdou. Acreditar que a substituição de Jesus irá contribuir para que o Benfica melhore os resultados desportivos não é razoável.

 

Percebo a frustração de muitos, que também é a minha. Ficar tão perto de ganhar tanta coisa sem o concretizar custa. Mas eu não quero voltar a ter um Benfica que deixa de despertar qualquer tipo de emoção em Novembro. Não quero voltar a precisar das derrotas dos outros para ter algum bálsamo desportivo. Não quero voltar a fazer as figuras que fez ontem, por exemplo, Eduardo Barroso na televisão, enquanto salivava com a perspectiva de o Benfica não ganhar nada esta época. Porque há uma coisa que eu sei: essa gente quer Jesus fora do Benfica o quanto antes. Como eu os percebo. É gente com memória.

 

 

 

 

 

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