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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Nolito de Jesus

08.02.12, Bruno Vieira Amaral

O dois a zero com um golo na primeira parte e outro na segunda é o resultado mais insípido. Um resultado que só tolero num derby em que joguemos com um jogador a menos desde os cinco minutos, num clássico disputado nas Antas ou numa final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. No resto, dois a zero sabe-me a derrota. O desígnio do Benfica é atacar. Marcar o primeiro e ir à procura do segundo, marcar o segundo e ir à procura do terceiro and so on, até que o árbitro apite para o final do jogo e nos vejamos regulamentarmente impedidos de marcar mais golos. Mesmo aí, quero ver os nossos jogadores a protestar com o árbitro por só ter dado cinco minutos de compensação. Os jogadores do Benfica têm sempre de querer jogar mais e marcar mais. Se o Benfica fosse um pugilista tinha de ganhar sempre por knock-out. Ganhar aos pontos é para meninos. Por isso é que Jorge Jesus é o treinador ideal para o Benfica. Consta que nasceu lagarto, mas como é esperto que nem um rato, percebeu o que é o Benfica: um desejo alucinado e insano de atacar, de esmagar o adversário. Vemos como lhe custa “reforçar” o meio-campo, “povoá-lo” para ganhar a “batalha”, lá está, do meio-campo, num linguajar que é meio Clausewitz, meio Malthus, guerra demográfica. Ele quer é atacar à maluca, com os laterais a subir (coitado, agora tem lá o Emerson) e a acompanharem o Aimar, o Rodrigo, o Witsel, o Gaitán, o Nolito, o Cardozo. Para Jesus, até o Garay tem de render mais lá à frente. De acordo com esta filosofia de canibalismo futebolístico (Merckx aplicado à bola), qualquer dia até o Artur tem de marcar golos. As circunstâncias obrigaram Jesus a ser mais cauteloso, menos suicida, mas o futebol atual do Benfica não sabe ser cínico ou, como se diz hoje, especulativo. E não me falem do glorioso catenaccio do Trappatoni, porque aquilo não era glorioso, nem catenaccio, nem nada. Era uma merda e um insulto à nobre arte de defender dos italianos. Felizmente, com Jorge Jesus, mesmo quando perdemos, raramente somos uma merda. Há vontade de atacar, de cair em cima do adversário, de massacrar. Jesus diz que o Aimar é o treinador dentro de campo, mas não é preciso ser grande observador para ver que o equivalente a Jesus é aquele espanhol maluco e destravado, o Nolito.