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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Onze alternativo

19.09.12, Nuno Gouveia

A ter em conta a forma como este plantel foi construído, o onze hoje só pode ser este, que um comentador deixou no post anterior

 

Artur

 

Miguel Vitor, Jardel e Garay

 

Salvio, Matic, Aimar e Nolito


Lima, Cardozo e Rodrigo

 

Quem só comprou avançados e extremos, não pode fazer por menos. 

O 11 para amanhã

18.09.12, Lourenço Cordeiro

Com Luisão e Maxi castigados, e Carlos Martins lesionado, há quem manifeste preocupação sobre o equilíbrio do 11 a apresentar amanhã. Queria sossegar toda a gente e lembrar que Jorge Jesus é um mestre das adaptações. Assim, e depois de Enzo Pérez ter vindo dizer que está disponível para, e cito, «fazer de Witsel», acho que há condições para apresentar o seguinte 11:

 

Artur;

 

Melgarejo, Lima, Ola John e Nolito;

 

Enzo Perez e Aimar;

 

Gaitán, Rodrigo, e Sálvio;

 

Cardozo.

 

Como vêem, «há soluções».

Falidos e frustrados

12.09.12, Nuno Gouveia

Ontem foi noticiado que a UEFA suspendeu os pagamentos dos prémios ao Sporting relativos à última época devido à sua situação financeira. Comentário de  um sportinguista da ? Reclamar com benfiquistas. Aliás, nesse blogue fala-se quase mais do Benfica do que propriamente do clube a que são afectos. Curioso. 

É possível fazer um 11 equilibrado

07.09.12, Lourenço Cordeiro

De nada. Não precisam de agradecer. A única coisa a fazer é voltar ao esquema táctico do 4-1-3-2 de 2009-2010, lembrando um pormenor fundamental: só se jogava com um extremo, que era o Di Maria, já que no outro lado estava um falso ala, o Ramires, que dava equilíbrio a um meio campo de outra forma excessivamente ofensivo. 

 

Não será a solução ideal, mas julgo que o Bruno César, que foi dos melhores da época passada e que, misteriosamente, não joga este ano, está em condições de preencher o lado esquerdo do meio campo de uma maneira que equilibre defensivamente a equipa. Assim - epá, e isto é completamente fazer um jantar com as sobras do almoço - o único 11 minimamente competitivo que o Benfica poderá apresentar este ano é o seguinte:

 

Artur;

 

Maxi, Luisão, Garay, e Melgarejo;

 

Matic;

 

Sálvio, Aimar, e Bruno César;

 

Rodrigo e Cardozo.

 

Aos 60 minutos sai Aimar e entra Carlos Martins.

 

A extremalhada toda no banco: Nolito, Gaitán, Perez e John.

 

Haja confiança.

SLB memória

05.09.12, Ricardo Noronha

 

Os anos passam e poder-se-ia esperar que uma pessoa ficasse habituada. Mas eu continuo a espantar-me e os benfiquistas continuam a ser o motivo desse espanto. Dir-se-ia que o clube tem 4 anos e não, como é sabido, 108. Ou pelo menos, assim parece lendo os textos publicados aqui na catedral da luz. Jesus é teimoso. Jesus é incompreensível. Jesus é arrogante. Jesus está louco. E, como sempre, atiram-se ao treinador do dia sem se dedicarem jamais ao exercício de pensar quem o poderia vir substituir com proveito para o clube.

Entendamo-nos bem. Antes de Jorge Jesus chegar ao Benfica, David Luiz jogava a defesa esquerdo, Fábio Coentrão estava emprestado ao Rio Ave (depois de ter sido dispensado pelo Saragoza, então na 2ª divisão...), Di Maria não acertava um passe a mais de dois metros, Cardozo estava no banco e Quique Flores garantia-nos que o 3º lugar conquistado era melhor do que o 4º lugar da época anterior.

Ah, é verdade, a época anterior! Para satisfazer adeptos insaciáveis - como os que aqui escrevem assaz regularmente, acrescento - Luís Filipe Vieira despediu Fernando Santos à primeira jornada e mandou vir Camacho, esse sim, como é sabido, um treinador à Benfica. Bynia jogava a trinco. Edcarlos fazia dupla com Luisão, que era obrigado a fazer a dobra a Luís Filipe. Na frente, uma vez que Cardozo não era suficiente, tínhamos Makukula. Naquela altura o Benfica estava fortíssimo. Rui Costa, aos 35 anos, era o melhor jogador. Quando não era o único jogador. Quando a época acabou, já era Chalana quem se sentava no banco, porque Camacho, esse treinador à Benfica, percebeu como tudo iria terminar e resolveu corajosamente partir. O Benfica foi eliminado da taça num jogo em Alvalade em que vencia por 2-0 ao intervalo. Quem não se lembra disso pode vir aqui confirmar. Foram belos tempos. 

E antes disso era ainda melhor. Não havia treinador que chegasse que não avisasse logo que era preciso tempo para construir uma equipa e que o Porto era muito forte e que o Benfica precisava de tempo para construir uma equipa e que para construir uma equipa era preciso tempo. Koeman, por exemplo, cometeu a proeza de eliminar Manchester United e Liverpool fazendo jogar Beto e Moretto. Num jogo contra o Lille, em Paris, o Benfica acabou com 6 centrais dentro de campo. E com toda essa sapiência, o clube não ganhou nada e acabou em terceiro, sem brilho nem glória. A memória é de tal forma curta que poucos se lembram agora que Trappatoni viu diversas vezes lenços brancos nas bancadas da Luz no ano em que foi campeão, ao fim de 10 anos de jejum. É caso para dizer que este clube não é para velhos. Nem para novos, aliás. 

Tudo isto relembra demasiado o que os adeptos do Sporting disseram e fizeram relativamente a Paulo Bento. Era mau. A equipa jogava feio. Não percebia nada de futebol. Não descansaram enquanto não o puseram a andar. E agora, onde estão uns e outro?

Jesus terá diversos defeitos e muitas opções discutíveis. Assim de repente, a equipa chega sempre cansada a Março e exausta a Abril, porque manifestamente não consegue fazer uma boa rotação dos jogadores. E alguns dos que ele dispensa ou deixa no banco parecem ter condições para jogar mais vezes e render mais. Mas noto com estupefacção que muitos aqui lamentam a saída de Saviola, que a partir da segunda época em Portugal deixou de conseguir vencer em velocidade 90% dos defesas que enfrenta. Ora, um jogador de 1,70m que joga no ataque e não tem velocidade pode fazer exactamente o quê?

 

Por outro lado, verifico com não pouca estupefacção que pessoas a quem leio regularmente opiniões extremamente favoráveis ao livre funcionamento do mercado, da concorrência, da liberdade de circulação de capitais e das mais diversas lógicas empresariais que governam o mundo, vituperam aqui o facto de o Benfica ter feito negócios que meia Europa considera serem extremamente lucrativos e proveitosos. Bem sei que a equipa ficou mais fraca, mas olhando para os dados do problema, e constantando que o calendário de transferências favorece ostensivamente este tipo de contratações em cima do prazo, percebo mal o que se poderia esperar. Que tivessem ido ao mercado rechear a equipa de médios centro que depois poderiam não jogar? Que mantivessem no plantel um jogador que, legitimamente, aspira a jogar no campeão inglês e a ver o seu salário triplicar?

O Benfica contratou extremos na perspectiva de vender o Gaitán por uma boa quantia e de colocar o Nolito a jogar em Espanha por troca com um defesa esquerdo. Mas não recebeu o dinheiro que pretendia pelo argentino e, porventura por incompetência porventura por factores impossíveis de controlar, não conseguiu o defesa esquerdo pretendido. Penso que é consensual que mais vale não trazer nenhum do que trazer um que se torna um problema como o Emerson - odiado pelos adeptos, sem condições para jogar e a desvalorizar-se. Ainda é cedo para saber se Ola John foi uma boa contratação, mas quero pensar que um internacional A holandês aos 19 anos, titular indiscutível no seu clube, tem tudo para chegar longe.

Quanto ao resto, e deixando de lado a enormidade subjacente à afirmação de que Matic não pode jogar na posição de Javia Garcia, não seria a primeira vez que o clube vende grandes jogadores e encontra nos seus quadros substitutos à altura. Quando Tiago saiu, alguém imaginava que Manuel Fernandes ia pegar de estaca como pegou e jogar mais de 30 jogos para ganhar o campeonato?

Certamente que a equipa não está tão forte como estaria com os dois que acabaram de sair. Mas haveria realmente alguma forma de evitar que eles saíssem? E mesmo com eles cá, não bastou um pouco de fruta para o campeonato ir para uma equipa pior e treinada por alguém consensualmente incompetente?

Não faltam bons jogadores no Benfica, para todas as posições.

 

 

40M€ ou 60M€? Porque não 100M€?

05.09.12, Filipe Boto Machado

Tenho achado deliciosas as contas da transferência de Hulk para o Zenit. O F.C.Porto comunicou à CMVM a venda de 85% do passe de Hulk por 40M€. Pelas minhas contas, se 85% valem 40M€, 100% valem 47M€. É uma regra de três simples. Nada de muito complicado. No entanto, a imprensa portuguesa tem referido que Hulk foi transferido por 60M€, dos quais o Porto recebeu 40M€ por 85% do passe. Segundo consta, a fonte deste valor de 60M€ é o empresário de Hulk, Teodoro Fonseca. Talvez porque seja demasiado fácil fazer contas e perceber que que não tem como chegar a 60M€, o empresário de Hulk veio esclarecer os contornos do negócio. Segundo ele, aos 40M€ pagos ao Porto pelos seus 85% do passe, somam-se 9M€ pagos ao Restistas por 15% do passe (cada 1% do Rentistas, clube que não tinha direitos desportivos sobre o jogador, valem mais do que cada 1% do F.C.Porto?), 3M€ do fundo de solidariedade (5% do valor da transferência que incidem sobre 60M€ que contabilizam comissões e prémios?), 6M€ de comissões e 2M€ de prémio de assinatura para Hulk. Por sua vez, o Zenit assegura que só pagou 40M€ pelo passe de Hulk. Aliás, vai pagá-los durante três anos. Será que Teodoro Fonseca também fez uma actualização destes valores à data actual? Não me parece, mas até seria menos descabido do que juntar comissões e prémios de assinatura nas contas finais da transferência.

 

Nunca tinha ouvido falar de comissões, prémios de assinatura e fundos de mecanismo de solidariedade como parte do valor global de uma transferência. Qualquer transferência envolve comissões, caso contrário os empresários não estavam no futebol, e o pagamento do mecanismo de solidariedade é uma imposição da FIFA, pelo que está presente em qualquer transacção de futebolistas. A maioria das transferências também envolverá um prémio de assinatura para o jogador transaccionado. No entanto, ninguém fala deste tema quando se transferem jogadores. Porquê contabilizar estes valores nesta transferência e não falar neles noutros casos? Para aproximar o valor dos 100M€ e tornar Hulk a transferência mais cara alguma vez realizada por clubes em Portugal? Já agora, como a criatividade e imaginação está no auge, porque não contabilizar também os salários que o tipo vai auferir durante os anos de contrato? Fica ainda mais perto dos 100M€ e nem vamos estranhar muito o critério se não se colocam em causa as parcelas dos 60M€.