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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Sejamos imperialistas, cadê?*

31.01.12, João Amaro Correia

Morar fora de Portugal é um modo de acesso à experiência universal e universalista do Benfica que, de resto, o José Maria Bárcia já evocou, citando o Mister Jesus, no post inaugural.

Uma maneira profética do ser benfiquista é ser-se português. É a via mais comum - não a única, certamente, que a revelação é múltipla e diversa - dos que nascem em Portugal e partem, mar a dentro, transportando a palavra que se revela jogo-a-jogo, domingo-a-domingo, nos relvados do mundo. Partir é reencontrar o Benfica, em qualquer paisagem do mundo. Partir é experimentar a geografia global do Benfica que o torna, justamente, universal.

O Benfica como incorporação ou, para ser mais rigoroso, encarnação, do devir português e, por conseguinte, numa tradição que remonta a Gonçalo Annes de Bandarra, passando por Vieira, Pessoa ou Pascoaes, a concretização do Império Universal, a união futura de todos os homens em torno do Benfica. Porque, como muito bem diz o Lourenço, não é o Benfica que precisa de nós, somos nós que precisamos do Benfica.

Ser do Benfica é um modo de ser-no-mundo, porventura o único correcto, quando o entendimento nos demonstra que a alegria, a paixão, o inconformismo, são as vias justas do acesso ao futuro no presente. Por isso, aqui na Catedral, nas sete partidas do mundo, no Posto 9 em Ipanema, onde quer que haja o que quer que seja de humano, se ergue bem alta a bandeira desta verdadeira religião, o Benfica.

 

Benfica Posto 9 Ipanema

 

 

 

 

 

P.S. Em bom rigor, talvez este blog se devesse chamar Alfaiataria Benfica. O que aqui estamos a fazer é, no fundo, no fundo, confeccionar as faixas de campeão.

 

 

*Língua, Caetano Veloso