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Catedral da Luz

Catedral da Luz

Witsel, the Wonder*

07.03.12, Sérgio Lavos

 

Axel Witsel nunca será Aimar. É outro jogador; mais lento, menos repentista; melhor a defender e a cobrir os espaços, mais seguro a decidir, no último passe. Witsel, passados cerca de oito meses de Benfica, está mais próximo do mestre Rui Costa do que do génio Aimar. Falta-lhe apenas - e o mais provável é nunca vir a ter - capacidade de remate. E uma visão de jogo que lhe permita fazer passes a longa distância de forma precisa. Ver, antes mesmo do seu próprio companheiro de equipa intuir o seu próximo movimento, onde haverá espaço para o desequilíbrio; e acertar.

 

Não sendo Aimar, parecendo Rui Costa, Witsel tem tudo para ser o cérebro da equipa num futuro próximo. Já partilha essa honra a espaços com Aimar. E, com este de fora, Witsel assume-se, também aproveitando as meias tintas de Gaitán, que continua a fazer uma época uns furos abaixo: toda a classe, metade da eficácia.

 

O jogo de hoje passou pela assunção de Witsel, e também pelo acerto defensivo, personalizado no carácter de Luisão, no nervo de Maxi e na surpreendente fiabilidade de Jardel - como um velho Ford com 100 000 quilómetros acumulados - e de Emerson. Sim, Emerson, que perto do fim do jogo, imitando o capitão, levantou os braços e pediu o apoio dos adeptos. Os mesmos que setenta minutos antes o tinham assobiado. Podemos não ter ainda o defesa-esquerdo de que precisamos, mas vamos a caminho de ter um homem. Demasiado tarde? O futuro a Jesus pertence. E Bruno César foi o segundo homem de meio-campo, aquele que provocou mais desequilíbrios, nos passes, na aceleração do jogo e nos remates.

 

O árbitro esteve à altura da partida, o que só prova que num mundo sem Proenças, Olegários e Xistras, ganha quase sempre a melhor equipa

 

A seguir vem o mais difícil - nenhuma das equipas que se segue será acessível, a não ser que seja o clube que eliminou a agremiação do Norte; o Apoel perdeu apenas por um golo em França e pode fazer história no Chipre. Se for assim, cá estará o Benfica. Se for o Barcelona, também. Lamento desiludir Jesus, mas equipas inglesas é que será difícil: os Manchesters foram-se, o Arsenal também e o Chelsea, depois de ter perdido 3-1 em Nápoles, também já não se está a sentir nada bem. Se for o Real Madrid, hum, melhor não pensar nisso, até porque uma final da Liga dos Campeões do outro mundo seria um Benfica-Real, evocando tempos de glória. 

 

Uma palavra final para o nosso querido emigrado Bruno Alves. No final do jogo fez nascer em mim uma furtiva lágrima. Queixou-se aos jornalistas do tratamento de requinte oferecido pelos adeptos do Glorioso. Cito-o: "Gostava de ser mais bem recebido no meu país". Shuiffff! Comovente. Vai ter outra oportunidade para breve, quando a selecção fizer o próximo jogo de preparação na Catedral. Tenho a certeza que muitos de nós irão retribuir com carinho esta pieguice chorona do carniceiro de Sampetersburgo. Milhares de assobios estão guardados para ele. Talvez assim ganhe alguma vergonha na cara, dado que respeito pelos adversários e pelo jogo não parece ter. Deixa de ser piegas, pá, e porta-te como um homem. 

 

*Alterado.

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